segunda-feira, 23 de maio de 2011

Espectro


parecia uma noite comum, o clima ameno, o céu nublado, as bebidas geladas, a comida saborosa, as pessoas sorrindo, conversando, se distraindo, cada coisa no seu devido lugar.

O som alto, a conversa divertida, tudo isso proporcionava a sensação de calmaria, uma calmaria plena, sublime... Eis que por volta da meia noite uma brisa surge acompanhada de alguns pingos de chuva, a calma ainda assim pairava no ar, quando em minutos a chuva aumentou e então seguimos para a sala de estar, levamos os cigarros e as bebidas, uma das pessoas, ainda caida de bêbado continuou na rede do lado de fora, exausto, mesmo com a chuva caindo... Na sala, ainda fumávamos e bebíamos o que ainda tinha, apesar de toda diversão, aquela noite já era a terceira noite que estávamos ali então o cansaço era efetivo e claramente perceptível, após algum tempo, aos poucos, um e outro levantou para ir ao quarto dormir, no fim, havia sobrado, eu e mais dois que ao perceber que estava tarde fomos para o quarto, mesmo sem sono, antes disso, ainda, fizemos uma seleção de álbuns de John Frusciante e deixamos o som em um volume razoável.

No quarto, o ventilador ligado, o cheiro de urina, alguém havia mijado no chão na noite anterior e não tinha limpado, a sombra da luz da sala, o barulho da chuva da no telhado e mais alguns cigarros. A cama ainda fria e úmida com um forte cheiro de mofo sufocante me fazia tossir até perder o ar, o cobertor com um forte cheiro de corpo, que chegava a incomodar.

Mais uma hora se passou e continuávamos a conversar, agora no quarto, eis que uma sensação de observação pairou no ar, sentíamos, comumente, a presença de algum ser indescritível a nos observar, foi aí que o medo tomou conta de nossos corpos, alguns minutos depois a sensação era de que estávamos voando, foi quando levantamos os três juntos e fomos a porta para ver o que estava acontecendo. Ao abrir a porta a casa estava flutuando e já longe do chão e ao redor da casa tinha uma luz parecendo um espectro bem denso e luminoso, as cores mais comuns dos feixes de luz era verde, amarelo e vermelho, e às vezes elas se juntavam e derivavam algumas outras cores, o som que era emitido da luz era relaxante, mas não conseguíamos nos acalmar, o medo só aumentava, os calafrios e o frio também, eu sentia o meu suor escorrendo pelo rosto tão frio que parecia pingos de chuva, logo em seguida a luz ficou tão forte e foi ficando tudo branco e o som era tão agudo que não conseguíamos mais ouvir o que o outro dizia, nesse instante eu apaguei e acordei na tarde seguinte já na cama, no mesmo lugar que estava antes de me levantar e não lembrava de mais nada após a luz e o som.

Quando eles acordaram perguntei se alguém lembrava da noite anterior, da casa flutuando das luzes e do som e eles ficaram rindo dizendo que a gente havia dormido e eu deveria ter sonhado isso, mas, eu tenho certeza do que vi e senti.

2 comentários:

C.s disse...

Caraaaa!!!!
Que viagem alucinanete em.. no inicio uma reunião com ares de suspense espiritual, ou seria viagem da mente mesmo?
Gostei do texto viajei!!!!
;*

Pedro Ivo disse...

hehehe, eu me inspirei numa doidera que rolou na casa de praia com o pessoal :D

=*

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